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Dia de Guru Rinpoche

6.2.17

                                     
 Om Ah Hung Bezar Guru Pema Siddhi Hung

"Hoje, é o último décimo dia do Ano do Macaco.
Por favor pensem em Guru Rinpoche e, assim que receberem esta mensagem, por favor, recitem a oração em sete  linhas, pelo menos três vezes e o Mantra de Vajra Guru pelo menos sete vezes. Por favor lembrem-se de incentivar outros a fazer o mesmo ainda antes da meia-noite."
Mensagem de Dzongsar Jamyang Khyentse  Rinpoche

Como Superar a Raiva e Vencer os Obstáculos

10.1.17


"...Em vez de direccionarmos a ira para fora, devemos ver os problemas, as dificuldades e as circunstâncias negativas que enfrentamos na nossa vida quotidiana não vêm de fora, mas que são gerados, principalmente, pelas nossas próprias emoções negativas, tal como a raiva.
Então, porque razão começamos a sentir raiva? A resposta é que o apego e a raiva são como as duas faces da mesma moeda. Quando se tem um forte apego, então a raiva surge.
As emoções negativas fazem-nos sofrer fisicamente e mentalmente, a toda a hora. Por isso, em vez de culparmos os outros, temos que observar as nossas próprias emoções negativas."
S. S. Sakya Trizin


S.S.Dudjon Rinpoché

31.12.12


S.S.Dudjon Rinpoché, Jikdral Yeshe Dorje

31 de Dezembro
Aniversário do Paranirvana de Dudjon Rinpoché (1904-1987)

Dilgo Khyentse Rinpoche (1910-1991)

20.7.10

Dilgo Khyentse Rinpoche
Uma das incarnações de Jamyang Khyentse Wangpo. Estudou com cento e vinte mestres e passou um total de vinte anos em retiro de meditação. Deu frequentemente ensinamentos, incluindo os da Grande Perfeição, ao Dalai Lama. Muitos da mais jovem geração de lamas tibetanos consideram-no como seu mestre-raiz. Também ensinou amplamente na Europa e na América do Norte.
A Alquimia da Devoção

Há apenas uma maneira de alcançar a libertação e obter a omnisciência da iluminação, que é seguindo um autêntico mestre espiritual. É ele o guia que nos ajudará a atravessar o oceano do samsara.
O Sol e a Lua reflectem-se instantaneamente nas águas claras. Similarmente, as bênçãos de todos os Budas estão sempre presentes para os que têm confiança neles. Os raios do Sol caem uniformemente em todo o lado, mas só podem pegar fogo às ervas onde forem focados através de uma lente. Quando os raios da compaixão de Buda, que penetram em tudo, forem centrados pela lente da vossa fé e devoção, a chama das suas bençãos arderá no vosso ser.

Dilgo Khyentse Rinpoche

Patrul Rinpoche, O Caminho da Grande Perfeição, Ésquilo.
Sogyal Rinpoche, O Livro Tibetano da Vida e da Morte, Prefácio.

Verão

12.7.10



Não se pode definitivamente dizer que seja errado meditar enquanto se está deitado numa rede e se segura uma bebida guarnecida com um pequeno guarda-sol, desde que se contemple a verdade.

Dzongsar Jamyang Khyentse, O que não faz de ti um budista, Lua de Papel 2009

27 de Maio - Dia da Roda

25.5.10



O Calendário Tibetano baseia-se nos ciclos lunares e várias datas são consideradas auspiciosas ou inauspiciosas para várias práticas. Os ciclos da Lua são menos de 30 dias e o ano é dividido em 12 meses. Algumas datas são duplicadas para compensar a diferença entre os 12 ciclos de aproximadamente 354 dias em vez de 365 dias comuns no calendário solar. Todos os anos são reconhecidos quatro dias feriados, celebrados por grandes festivais relacionados com a vida de Buda Shakyamuni. Esses dias são também conhecidos como dias da Roda (Roda do Dharma). Acredita-se que os efeitos das suas acções positivas e negativas multiplicam-se dez milhões de vezes.

Em cada mês, certas datas possuem também um significado especial. O dia de Lua Crescente corresponde ao Buda da Medicina, o da Lua Cheia ao Buda Amitaba e o da Lua Nova ao Buda Shakyamuni.

O dia 27 de Maio - Saga Dawa Düchen, quinta-feira, é um Dia da Roda. Celebra-se a Iluminação e o Paranirvana de Buda Shakyamuni.

Buda atingiu a Iluminação com 35 anos em Bodhgaya e o Pranirvana, numa floresta, em Kushinagara.


Dia 27 de Maio (quinta-feira) às 9:00 - libertação de animais

19:30h - Meditação e prática da Sadhana de Buda Shakyamuni



Aqueles que por palavras me seguiram
Defraudaram o esforço a que se entregaram.
A mim tal gente nunca verá.
Pelo Dharma se deveria ver os Budas.
Dos Corpos do Dharma provém a sua orientação.
Mas a verdadeira natureza do Dharma não pode ser apreendida,
Ninguém pode dela estar ciente como se de um mero objecto se tratasse.

(Palavras de Buda para o seu discipulo Subhuti)

Budismo e Identidade Pessoal

22.3.10






"...Alheio aos extremos conceptuais do ser e do não ser, da existência e da não existência, a Natureza de Buda, no seu aspecto de vacuidade, não é uma entidade metafísica positiva, negativa ou inefável, mas a verdade das coisas-fenómenos materiais e mentais, o seu tal qual ou talidade (sânscrito: tathata) inerente à sua manifestação interdependente, sem qualquer constituição ontológica autárquica, autónoma e própria. Neste sentido, a Natureza de Buda-vacuidade é a verdade absoluta e última do mundo, de totalidade da manifestação, inseparável de cada uma e de todas as coisas. Como se diz na versão tibetana do Sutra do Coração do Conhecimento Transcendente: "As formas são vazias; a própria vacuidade são as formas, a vacuidade não é diferente das formas; as formas não são diferentes da vacuidade"."

Paulo A. E. Borges, Budismo e Identidade Pessoal

O homem mais feliz do mundo - Altruísmo

5.3.10


Na segunda-feira, dia 8 de Março, fui ao Porto ouvir Matthiew Ricard falar sobre o Altruísmo.

A sala estava repleta e como cenário de fundo Matthiew Ricard projectou uma das suas belíssimas fotos de um mosteiro envolto num denso nevoeiro.

O Altruísmo não é um luxo, mas um princípio, para todos nós. Hoje em dia, temos de nos preocupar com problemas económicos, com a qualidade de vida, o meio ambiente, etc. Também temos preocupações a médio prazo como a carreira e a vida familiar. O nosso desafio é conciliarmos tudo isto. O fio condutor para ligar tudo isto é segundo Matthiew o Altruísmo. Levando-nos desta forma a ter mais consideração sobre o que nos rodeia. É preciso que ele exista, que esse potencial seja cultivado para que haja uma transformação na cultura.

Para cultivar o Altruísmo temos então de eliminar um dos cinco venenos e deixar o egoísmo de lado.

Embora existam escolas de psicologia reconhecidas que defendem o egoísmo como uma forma de evoluir na sociedade, também no plano científico o Altruísmo foi reconhecido cientificamente.

Na teoria do génio egoísta não há lugar para o Altruísmo, mas é possível mostrar hoje em dia que podemos evoluir mais rapidamente numa sociedade Altruísta e não viver num mundo onde se luta uns contra os outros.

O primeiro passo é transformarmos-nos a nós mesmos. Devemos estender o sentimento de compaixão e felicidade em relação a todos os seres. Compaixão no sentido de que TODOS os seres sem excepção sejam livres do sofrimento e da causa do sofrimento. A compaixão verdadeira é semelhante à de um médico que cura o seu paciente. Esta compaixão não é sinal de fraqueza, pois o objectivo é suprimir o sofrimento.

Existe o sofrimento visível, o sofrimento impermanente e o sofrimento mais profundo.

Se quisermos libertar-nos temos que entrar no coração da nossa ignorância. Podemos usar antídotos para o ódio. A ignorância não é uma falta de informação, mas sim uma distorção da realidade. O conhecimento e o despertar dependem de uma condição mais justa, longe de todos os véus mentais. Este desenvolvimento interno, cultivando o amor Altruísta, a compaixão e desenvolvendo dentro de nós um sentimento incondicional impregnado de amor só é possível através de um esforço metódico. Esse esforço só é possível através da prática da meditação.

Matthiew Ricard mostrou vários gráficos e imagens sobre estudos científicos a que foi submetido para provar o resultado da meditação. Para os cientistas foi referenciado como o homem mais feliz do mundo. Podemos observar pelas imagens que o seu nível de controlo da mente é surpreendente e os impulsos positivos do seu cérebro saíram fora da escala.

Para cultivar o que quer que seja devemos treinar o nível de vigilância uma vez que ela declina. Para um praticante o nível é sempre estável, perfeito e contínuo. Vinte minutos por dia durante dois meses conduz a resultados muito significativos quer a nível clínico ou psicológico. O sistema imunitário fica mais forte e o nível de ansiedade baixa considerávelmente. A pressão sanguínea e arterial desce, quando é elevada.

Mattiew Ricard deixou-nos o desafio de permanecermos na ignorância ou a possibilidade de sermos felizes.

Hábitos da Felicidade

4.3.10



Os Três Senhores do Ego

28.2.10


Chögyam Trungpa

Uma metáfora interessante usada no Budismo Tibetano para descrever o funcionamento do ego é a dos "Três Senhores do Materialismo": o "Senhor da Forma", o "Senhor da Palavra" e o "Senhor da Mente". Na apreciação que se segue dos Três Senhores , as palavras "materialismo e "neurótico" referem-se à acção do ego.

O Senhor da Forma refere-se à procura neurótica de conforto físico, segurança e prazer. A tecnológica e altamente organizada sociedade em que vivemos reflecte a nossa preocupação em manipular o que fisicamente nos rodeia, de modo a proteger-nos contra as irritações dos brutais, inconstantes e imprevisíveis aspectos da vida. Elevadores automáticos, carne pré-embalada, ar condicionado, autoclismos, funerais privados, contas poupança-reforma, produção em massa, satélites meteorológicos, retroescavadoras, luz fluorescente, empregos das-nove-às-seis, televisão - tudo tentativas para criar um mundo manobrável, seguro, previsível e agradável.

O Senhor da Forma não designa as situações de vida, fisicamente ricas e seguras, que criamos per se. Refere-se mais à preocupação neurótica que nos leva a criá-las, a tentar controlar a natureza. É ambição do ego sentir-se alegre e seguro, tentando evitar qualquer fonte de irritação. Por isso, agarramo-nos aos nossos prazeres e pertences, tememos a mudança ou forçamo-la, tentamos criar um recreio ou um abrigo.

O Senhor da Palavra refere-se ao uso do intelecto em relação ao nosso mundo. Adoptamos conjuntos de categorias que depois usamos como utensílios, como modos de lidar com os fenómenos. Os produtos mais desenvolvidos desta tendência são as ideologias, os sistemas de ideias que racionalizam, justificam e glorificam as nossas vidas. Nacionalismo, comunismo, existencialismo, Cristianismo, Budismo - todos nos fornecem identidades, regras de conduta e interpretações de como e porquê as coisas acontecem e são o que são.

Também aqui, o uso do intelecto em si mesmo não é o Senhor da Palavra. O Senhor da Palavra refere-se à tendência da parte do ego para interpretar tudo o que seja irritante ou ameaçador de um modo que permita neutralizar a ameaça ou transformá-la em algo "positivo" do ponto de vista do ego. O Senhor da Palavra refere-se ao uso de conceitos como filtros que nos protegem da percepção directa das coisas. Levamos os conceitos demasiado a sério; usamo-los como ferramentas que solidificam o nosso mundo e nós mesmos. Se existe um mundo de coisas nomeáveis, então "Eu" como uma das coisas nomeáveis também existe. Não deixamos qualquer espaço para dúvidas perturbadoras, incertezas ou confusões.

O Senhor da Mente refere-se ao esforço da consciência para se manter ciente de si mesma. O Senhor da Mente governa quando disciplinas psicológicas e espirituais são usadas como meio de manter a auto-consciência, de conservar o sentimento de si. Drogas, yoga, oração, meditação, transes, várias psicoterapias - tudo pode ser usado desse modo.

O ego é capaz de converter tudo em seu proveito, mesmo a espiritualidade. Por exemplo, se soubermos de alguma técnica de meditação ou prática espiritual particularmente benéfica, a atitude do ego é, em primeiro lugar, olhá-la como um objecto de fascínio e, depois, examiná-la. Uma vez que o ego tem uma aparência sólida e não pode absorver nada, só pode imitar, ele tenta examinar e reproduzir essa prática de meditação e esse modo de vida meditativo. Conhecidos todos os truques e respostas do jogo espiritual, tentamos automaticamente imitar a espiritualidade, já que o envolvimento real exigiria a completa eliminação do ego, o que, na verdade, é a última coisa que desejamos. Todavia, não se consegue experienciar aquilo que se tenta imitar; apenas se pode encontrar alguma área dentro das fronteiras do ego que pareça ser a mesma coisa. O ego traduz tudo em termos do seu bem-estar, das suas qualidades intrínsecas, e sente um grande contentamento e exaltação por ter sido capaz de criar tal modelo. Finalmente, conseguiu criar algo de tangível, uma confirmação da sua própria individualidade.

Quando se consegue manter a auto-consciência dentro das práticas espirituais, o genuíno desenvolvimento do espírito é altamente improvável. Os nossos hábitos mentais tornam-se tão fortes quanto difíceis de penetrar. Podemos até chegar ao ponto de alcançar o estado totalmente diabólico de completa "Egoidade".

Embora o Senhor da Mente seja o mais eficaz em subverter a espiritualidade, também os outros dois Senhores podem comandar a prática espiritual. Retiros na natureza, isolamento, simplicidade, silêncio - tudo isto pode servir para nos protegermos da irritação e ser um modo do Senhor da Forma se manifestar. Ou talvez mesmo a religião nos proporcione um pretexto para criarmos um abrigo seguro, um lar simples mas confortável, para arranjarmos um parceiro amável e um emprego cómodo e estável.

O Senhor da Palavra também está, do mesmo modo, envolvido na prática espiritual. Muitas vezes, ao seguirmos uma via espiritual, substituímos as nossas antigas crenças por uma nova ideologia religiosa, mas continuamos a usá-la da mesma forma neurótica. Por mais sublimes que sejam as nossas ideias, se as levamos demasiado a sério e as usamos para manter o nosso ego, continuamos a ser governados pelo Senhor da Palavra.

Se examinarmos os nossos actos, a maioria de nós provavelmente admitirá que somos governados por um ou mais dos Três Senhores. "Mas", podemos perguntar, "e depois? Isto é uma simples descrição da condição humana. Sim, sabemos que a nossa tecnologia não nos pode proteger da guerra, crime, doença, insegurança económica, trabalho árduo, velhice e morte; nem as nossas ideologias nos defendem da dúvida, incerteza, confusão e desorientação; nem as nossas terapias nos protegem da dissolução de estados de consciência elevados que temporariamente alcancemos e da desilusão e angústia que se lhe seguem. Mas o que podemos nós fazer? Os Três Senhores parecem demasiado poderosos para serem derrubados e, se o fossem, não saberíamos com que os substituir."

O Buda, perturbado com estas questões, examinou o processo pelo qual os Três Senhores governam. Questionou por que razão as nossas mentes os seguem e se poderia haver outro caminho. E descobriu que os Três Senhores seduzem-nos criando um mito fundamental: o de que somos seres sólidos. Mas, afinal, o mito é falso, um grande embuste, uma gigantesca fraude, e é a raiz do nosso sofrimento. Para chegar a esta descoberta, ele teve de abrir caminho através das elaboradas defesas erguidas pelos Três Senhores para evitarem que os seus súbditos descobrissem a burla que é a fonte do seu poder. Não há outro modo de nos libertarmos do domínio dos Três Senhores, a não ser desmontar, camada após camada, as suas defesas.

As defesas dos Senhores são criadas a partir de material das nossas mentes. Este material é usado por eles de modo a manter o mito básico da estabilidade. Para vermos por nós mesmos como este processo funciona, temos de examinar a nossa própria experiência. "Mas como", podemos perguntar, "devemos fazer esse exame? Que método ou ferramenta vamos usar?" O método que o Buda descobriu é a meditação. Ele descobriu que lutar para encontrar respostas não funciona. Só quando havia hiatos na sua luta é que a percepção clara lhe aparecia. Ele começou a compreender que havia, no seu âmago, uma qualidade pura e desperta que se manifestava por si mesma apenas na ausência de esforço. Por isso, a prática da meditação implica "abandono".

Chögyam Trungpa, Cutting Through Spiritual Materialism,
Shambala Publications, 2002 (trad. de Moksha)

Aniversário de Kyabjé Dilgo Khyentsé Rinpoché

8.10.09

Hoje celebra-se o aniversário de Kyabjé Dilgo Khyentsé Rinpoché


Dilgo Khyentsé Rinpoché (1910-1991), reconhecido como a pérola dos mestres do
dzogchen e o descobridor dos tesouros espirituais de Padmasambhava, foi o mais
destacado discípulo de Jamyang Khyentsé Chökyi Lodrö e o mestre de muitos lamas importantes, incluindo Sua Santidade o Dalai Lama.


O que alcança a grande pureza da percepção
É a devoção, que é a radiância da rigpa...
Reconhecendo e recordando que a minha própria rigpa é o mestre,
É graças a isso que a tua mente e a minha se fundem numa única.

Dilgo Khyentsé Rinpoché

Vipassana — Visão Profunda (Parte 2)

5.10.09


É difícil, portanto, especialmente no início, sentir essa alegria, porque o efeito da meditação é tão subtil; mesmo que já lá esteja, não é visível.

É fácil observar os pensamentos vulgares e mais óbvios. Digamos que estão a meditar e ouvem uma criança aos berros e isso irrita-vos e vocês observam essa irritação. Isso é bom. É assim que deve ser. Mas, por outro lado, há tantos outros pensamentos. Vêm e vão e regressam várias vezes e vocês nem se apercebem. Pensamentos muito, muito subtis. E então, quando se apercebem, em vinte minutos lá se foram quinze, a divagar, completamente distraídos só com pensamentos muito subtis, nada parecidos com o notar a irritação quando uma criança grita. E então o que acontece? Vocês arrependem-se. Bem, quando se arrependem, estão outra vez a namorar. O arrependimento é outro namoro. “Oh, eu não devia. Eu devia estar a meditar.” E também deviam estar a observar esse arrependimento. Na verdade, este namoro é muito menos prejudicial, porque não há muita intimidade. Há outro muito pior, que é quando sentem que não estão nada distraídos. “Ena! Estou completamente consciente de tudo. Não estou distraído.” Aí é que estão mesmo a namorar! Intimidade muito intensa! É tão difícil largá-la. Vocês querem mesmo permanecer nela. De qualquer forma, como eu dizia, a consistência é muito importante. Curto, directo, mas frequente. Segundo Longchenpa, “Curto, muitas vezes.” Longo, mas só uma vez, não tem grande efeito. E diria de forma consistente todo o dia, não nos limitando apenas a meditar de manhã ou à noite. Façam-no a qualquer hora, onde quer que se possam sentar. Na verdade, depois de algum tempo, até podem meditar de pé ou a dançar. Mas acho que para os principiantes é melhor, pelo menos, construir os alicerces e, para isso, acho que sentar-se é importante.


Se estiverem a meditar e se se aperceberem dos pensamentos vulgares, a consciência plena está lá. Mas, por vezes, as emoções fortes podem ser difíceis. Se descobrem que o vosso namorado vos anda a enganar e tentam praticar Vipassana, vai ser muito duro, porque temos este hábito de ajustar contas, de nos vingarmos. Somos tão orgulhosos. Ou se tiverem um problema conjugal e ambos souberem que a separação é a única solução, mas ficam os dois à espera de quem vai ser o primeiro a dizer “Vamos separar-nos.” No princípio é difícil a concentração, porque a vossa mente regressa sempre ao problema. Mas depois, digamos, quando são meditadores mais experientes e o ciúme, a possessividade, o orgulho ou a insegurança surgem durante a meditação, vocês apenas observam. Isso é bom. Mas assim que soa o despertador, voltam novamente a “Vamos lá ver. Onde é que nós estávamos?” E zás, lá estamos nós outra vez!

Mas se conseguirem apenas observar, sem atracção nem namoro, aos poucos tornam-se ainda mais experientes e o muro entre a meditação e a pós-meditação desmorona-se gradualmente. Percebem, neste momento há um grande muro entre a meditação e a pós-meditação. Não faz mal. Acho mesmo que quase precisam dele, caso contrário os principiantes não podem começar. Algum tempo depois, este muro começa a desmoronar-se. E então, mesmo durante a pós-meditação, quando ardem de ciúmes, sentem esse arrependimento ou culpa, esse desapontamento ou frustração. “Por que não estou eu concentrado?” Por um lado, sabem que não devem envolver-se ou namorar com esse assunto, mas continuam a fazê-lo, mesmo à frente do vosso nariz. Bem, quando isso acontece, é altura de receberem uma medalha. Estão a trabalhar bem. Se conseguirem contar, digamos, dez vezes por dia em que se sintam frustrados, desapontados ou culpados, isso é bom. Finalmente tornaram-se um pouco meditadores. Quando se sentem frustrados porque estão distraídos, o que significa isso? Pensem! Quando sabem que estão distraídos, automaticamente isso quer dizer que sabem o que é não estar distraído. Estão perto da sabedoria. Portanto, possam vocês sentir-se sempre frustrados!


Vipassana significa, basicamente, compreensão extraordinária ou visão penetrante, daí visão profunda. Basicamente, é meditar na sabedoria. Sabem, sabedoria e natureza de Buda são, no fundo, uma só coisa com nomes diferentes. São a mesma coisa. Agora já sabem, quando falamos da natureza de Buda ou de sabedoria, digamos, sabedoria tipo Vipassana, não estamos a falar de nada sobrenatural, sobre-humano, divino ou algo que tenham de cultivar. De que estamos então a falar? A sabedoria já lá está, certo? Como uma mola. Mas por que não a experienciamos? Porque andamos sempre excitados com o namoro. Portanto, como experienciamos a sabedoria? Não fazendo nada, sem excitações, deixando que tudo aconteça. E então, quando não estiverem a namorar ou ocupados com um pensamento, a sabedoria do não-julgamento está lá. O que é a sabedoria? Não-dualismo, certo? E o que significa isso? De uma forma muito grosseira, não-dualidade é basicamente não-julgamento. E aí, tudo o que fazem é apenas observar, sem se envolverem, sem se excitarem, apenas observando, ignorando. Vêem os pensamentos, mas ignoram-nos. Não há julgamento envolvido. Pode ser só por um breve momento, mas durante esse momento em que apenas observam e não fazem nada, já estão a experienciar a não-dualidade. Já estão a experienciar a sabedoria. É só isso que temos de cultivar. É tudo o que têm de fazer. Que maravilhosa via! Não há nada a perder e tudo a ganhar. Ganhar o quê? Somos todos maníacos do controlo, certo? Todos queremos comandar. Todos queremos ser o que controla. Como é que vocês controlam? Com isto. Se estão excitados, não estão a controlar, certo? Aqui, gradualmente tornam-se o controlador. Perfeito para gente como nós, maníacos do controlo. Estarão todos no lugar do condutor. Esqueçam a Iluminação. Sejam apenas um bom controlador. Isto funciona!


Mais informação e ensinamentos em Siddhartha's Intent

Vipassana — Visão Profunda

2.10.09







Este texto é a transcrição de um ensinamento de
Dzongsar Khyentse Rinpoche,
em 24 de Maio de 2006, em Byron Bay, Austrália.

Transcrito e editado por Lynne Macready.
Traduzido por Moksha.







Vamos começar já com a meditação. Os mais informados sobre meditação sabem o que fazer. Para os principiantes, sentar-se com a coluna direita é bom. Colocar algo sob o traseiro, para que fique mais alto do que as pernas, é uma boa ideia.

É permitido respirar. Só podem pestanejar em caso de necessidade. Podem engolir saliva quando for necessário. Para além disto, durante este tempo, aconteça o que acontecer, não se mexam até eu mandar parar. Não se cocem, mesmo que sintam comichão! Em vez disso, observem essa sensação. Se não acontecer nada de invulgar, observem apenas quaisquer pensamentos que surjam. Não precisam de pensar sobre o passado nem de fazer planos para o futuro. Se não houver pensamentos, também está bem. Se vos doer o tornozelo ou vos apetecer tossir, fiquem quietos. Não podem pigarrear. Se se esqueceram de desligar o telemóvel e ele tocar, não o desliguem. Observem apenas essa culpa. Basicamente, não façam nada. Tudo o que têm de fazer é estar atentos. Vamos então começar.


Como devem saber, já várias publicações internacionais referiram que a meditação faz bem à saúde. Cientistas já se deram conta de que a meditação é boa para o stresse, boa para o relaxamento e por aí fora. Se forem Budistas, e se forem dos genuínos, não estamos aqui por razões de saúde. Não estamos aqui para relaxar. Que interessa que estejam tensos ou não, porque, quando as pessoas falam em relaxar, isso quer dizer que relaxam durante um pouco e depois voltam à excitação habitual, não é verdade? É por isso que procuram o relaxamento – para poderem continuar a fazer mal a si mesmas e aos outros, depois de uma pequena hibernação. Se forem seguidores genuínos de Buda Gautama, estar relaxado e sem tensão não é o vosso objectivo. Ou, pelo menos, a definição de relaxamento e tensão deve ser diferente. O que é tensão? Segundo o Buda, tudo o que é dualista é tensão. Contemplar o nascer ou o pôr-do-sol pode ser tensão. É mais provável ser tensão do que relaxamento, segundo o Buda. O que é relaxamento? Libertarmo-nos deste espírito dualista é relaxamento. Nesse sentido, sim, o que procuramos é o relaxamento extremo. O que procuramos mesmo é livrar-nos da fonte de toda a tensão, que é o dualismo.

Sabem, a meditação é uma técnica. Podem perguntar-se “como é que isto nos ajuda a descobrir a natureza de Buda?” Ajuda muito e bem. De facto, diria que a meditação, tal como acabámos de a fazer, é talvez o método mais seguro, económico, prático e fácil. Em geral, sempre que um pensamento surge, namoramos com ele. Pode haver vários tipos de namoro – um namoro muito sadio, tal como desfrutar o pôr-do-sol, fazer amor, ser filantrópico ou dar abraços! Ou pode ser um tipo de namoro muito doentio e violentador, como quando surge a ira. Então a depressão, a culpa e a raiva apanham-nos, porque estamos furiosos. É a isso que chamo violentar. Estamos a violentar os pensamentos. Aconteça o que acontecer, é como se tivéssemos esquecido o preservativo e fôssemos como um coelho. Podemos atingir nove orgasmos de cada vez. Cada gota desses orgasmos gera montes de bebezinhos. É por isso que temos coelhinhos sem fim na nossa cabeça, a toda a hora. Logo, não podemos ver a natureza de Buda. Ao meditarmos como acabámos de fazer, apenas observamos o que acontece. Mesmo o observar já é um pouco de namoro, mas por agora serve. É a única forma de avançarmos. Qual é o resultado disto? Estamos realmente a começar a aprender a forma de ignorar os pensamentos. Já agora, sabem o que é ignorar? Por exemplo, se ignorarem alguém numa festa, o que significa isso? Significa que vocês sabem que ele está lá, mas não lhe prestam atenção, não é? Se não o virem, isso não é ignorá-lo, ou é? É simplesmente não o terem visto. Durante a meditação, vocês observam os pensamentos; sabem que eles estão lá, mas ignoram-nos. Não estimulam os pensamentos agradáveis nem desencorajam os pensamentos negativos. Apenas observam. Portanto, não estão a namorar. Não havendo namoro, não há procriação, não há proliferação de coelhos; logo, ficam menos ocupados, porque não têm de enxotar ou de amamentar estes bebezinhos. Ficam muito mais livres. É por isso que meditamos.


Penso que é óbvio que a meditação é uma coisa boa, mas praticá-la de forma consistente é difícil. Falta de disciplina, falta de entusiasmo e falta de ambiente tornam-na difícil. Principalmente falta de disciplina. Consistência é a chave. Se fizerem horas e horas de meditação e depois não a praticarem durante meses, voltam ao ponto de partida. Se conseguirem fazer, com consistência, cinco a dez minutos diários, o mais tardar ao fim de um ano sentirão alguma alegria e entusiasmo em praticar a meditação. Essa alegria é difícil de desenvolver porque, sabem, a meditação é muito aborrecida. Não tem nada de divertido. É duro não fazer coisa nenhuma. Isto é a arte de não fazer coisa nenhuma e é de facto difícil, especialmente porque nós, seres humanos modernos, gostamos de resultados rápidos. Na verdade, os resultados até aparecem rapidamente. Mas os resultados da meditação são muito subtis. Nós gostamos de resultados palpáveis, significativos, óbvios. Gostamos de Panadols ou de analgésicos. É assim a cultura moderna.
(continua)

O Homem Elefante

13.8.09

foto de Nick Brandt


A maioria das pessoas tem uma conduta indigna, mas eu aguentarei as injúrias como o elefante aguenta as setas dos archeiros no campo da batalha.

~¡~

É o elefante bem domado que o rei monta ou que se leva a um ajuntamento. É o homem bem domado que aguenta as injúrias e faz parte dos melhores.

~¡~

Excelentes são as mulas, os cavalos puro-sangue do Sindh e os elefantes de grandes presas, bem domados. Mas, mais excelente do que eles, é o homem que se domou a si mesmo.

~¡~

Na verdade, nenhuma destas montadas poderá conduzir um homem aonde ele nunca esteve – ao Nibbana. Mas aquele que domou bem a sua mente pode lá chegar.

~¡~

Outrora, a minha mente vagueava, a seu belo prazer, por onde queria. Hoje, controlo-a com destreza como o tratador, com o aguilhão, refreia o elefante tomado pelo cio.

~¡~

Resguarda bem a tua mente, pratica com gosto a vigilância. Liberta-te da lama do sofrimento, tal como o elefante se liberta do atoleiro onde caiu.

~¡~

Se encontrares um companheiro sábio, sensato e que viva na virtude, junta-te a ele na alegria e na vigilância, superando todos os perigos.

~¡~

Se não encontrares um companheiro sábio, sensato e que viva na virtude, então vai sozinho como um rei que abandonou o reino ou como o elefante
Matanga, errando na floresta, solitário.

~¡~

Melhor é viver só, sem ter a insensatez por companhia. Vive sozinho e em paz como vive, na floresta, o elefante
Matanga, sem cuidados.


excertos do Dhammapada (versões de Moksha)

Oferenda

27.7.09


T
odas as flores e todos os frutos, as ervas medicinais e todos os tesoiros do Universo, as águas puras e deliciosas, as montanhas feitas de preciosas gemas, as encantadoras solidões dos bosques, as lianas lindíssimas ornadas de flores, as árvores com os ramos vergando sob o peso dos frutos, os perfumes dos mundos divinos e humanos, a árvore-dos-desejos e as árvores de pedrarias resplandecentes, os lagos espargidos de flores de lótus e suspensos no canto dos cisnes, as plantas silvestres e as de cultivo, e tudo o que é nobre ornamento disseminado na imensidão do espaço, tudo isto, que não pertence a ninguém, considero-o no meu espírito e ofereço-o aos Budas, sublimes entre os seres, e aos Seus Filhos.


Em termas perfumadas e que encantam os olhos com as suas colunas esplêndidas de jóias, cortinas resplandecentes bordadas a pérolas e lajes de puro e brilhante cristal, com muitas jarras incrustadas de gemas preciosas, transbordando de água perfumada, ao som de cânticos e de música, preparo o banho dos Budas e de Seus Filhos.


Com toalhas sem igual, impregnadas de incensos, impecáveis e imaculadas, seco-lhes o corpo e visto-os, enfim, com túnicas sedosas e perfumadas.


Com roupas etéreas, delicadas, finíssimas, esplendentes, e com profusos ornamentos, adorno Samantabhadra, Ajita, Manjushri, Lokeshvara e os outros Bodhisattvas.


Com fragrâncias delicadas, de perfume penetrando até aos confins do Universo, unjo os corpos de todos os Budas, resplandecentes como oiro purificado, lustroso e polido.


Com todas as flores de perfume inebriante, o jasmim, o lótus azul e a eritrina, com graciosas guirlandas, honro os tão veneráveis Budas.


Ofereço-lhes nuvens de incenso que alegram o coração, com o seu subtil e envolvente perfume. Presto-lhes homenagem com vasto sortido de alimentos e bebidas celestiais.


Dispostos em leitos de lótus de oiro, acendo archotes de pedrarias preciosas e lanço, ao longo de lajes polidas de perfume, punhados de pétalas de flores encantadas.


Ofereço a estes Misericordiosos inconcebíveis palácios celestiais decorados de magníficas grinaldas de pérolas e de jóias, ornamentos de um céu sem limite, reverberando melodiosos hinos.


Aos possantes Budas apresento altas umbrelas com requintadas pedrarias, de cabos em oiro e grácil forma, incrustados de pérolas e de um brilho estonteante.


Que se levantem nuvens de cantos e toadas que deleitam o coração, nuvens de oferendas que apaziguam a dor dos seres!


Sobre todas as jóias do supremo Dharma, sobre stupas e estátuas, caiam chuvas contínuas de flores, jóias e substâncias preciosas!


Com hinos lindos, marés de ritmos harmoniosos, exalto os que são oceanos de mérito; que sem cessar estes cânticos de louvor se levantem em revoada para eles!


Não tenho o mais pequeno mérito e sou tão pobre que nada mais posso oferecer. Hajam por bem os Protectores — sempre pensando no bem dos outros —, graças aos Seus poderes, receber estas oferendas para o meu bem!


Eu mesmo me ofereço para toda a eternidade aos Vencedores e aos Seus Filhos. Admitam-me ao vosso serviço, oh Seres Sublimes! É com devoção que me faço vosso servidor.


Shantideva, Bodhicharyavatara - O Caminho para a Iluminação,
trad. Filipe Valente Rocha, Livros e Leituras, 1998

Dia da Roda

2.6.09


Saga Dawa Düchen é o dia em que se celebra a Iluminação de Buda e o seu Paranirvana (falecimento).

Buda atingiu a Iluminação na Lua Cheia em Bodhgaya e entrou em Paranirvana em Kushinagar.

No momento da sua Iluminação, aos trinta e cinco anos de idade, Buda proclamou:

Profunda paz, natural simplicidade,
pura luminosidade,

encontrei o dharma como um néctar.

Quando Buda morria, reclinado num bosque e rodeado por quinhentos discípulos, disse-lhes com o seu último sopro:

Está na natureza de tudo o que nasce
o dissolver-se de novo.

Empenhai-vos com todo o vosso ser

em atingir a perfeição.



7 de Junho é um Dia da Roda (nome atribuído pelos praticantes de Budismo).
Neste dia, os efeitos das acções positivas e negativas multiplicam-se dez milhões de vezes.

Actividades para esse dia no Shangri-La:
Libertação de animais, prática de meditação e orações.

Libertação de Animais

1.6.09


A prática de libertar animais é comum no Budismo e em diferentes partes do mundo. Esta prática, juntamente com outras, destina-se a ajudar os seres humanos em sofrimento e baseia-se nos ensinamentos de Buda sobre a compaixão e o amor universais.

Segundo estes ensinamentos, todos os seres vivos ou sensíveis desejam alcançar a felicidade e evitar o sofrimento. Também todos estes seres já estabeleceram, ao longo de vários renascimentos, relações connosco através do ciclo de existência ou samsara. Já foram os nossos próprios parentes mais íntimos, pais, mães, filhos e filhas.

Estando conscientes deste facto, devemos assim evitar o seu sofrimento. Como todos os seres estão apegados a esta vida, a morte será para eles o pior. Como por exemplo, a dos seres que irão ser cozinhados vivos (devido ao tempo de cozedura, a dor e a diferente percepção do tempo para eles resulta muito dilatado). Daí que os Budistas privilegiem a libertação de mariscos vivos – caranguejos, santolas, amêijoas, berbigão. Também podem ser caracóis, minhocas para isco ou outros animais vendidos vivos nos mercados, como coelhos.

No dia 30 libertámos caranguejos e ficámos felizes por poder libertar espécimes tão grandes.

Libertam-se os animais nos dias de lua nova ou lua cheia, bem como nos dias consagrados do calendário Budista. Nestes dias, a energia vital está mais concentrada em nós e no mundo e os efeitos kármicos das acções positivas ou negativas multiplicam-se.

O karma positivo acumulado pela salvação de vidas é enorme e tem um poder purificador nas nossas acções negativas passadas. Também pode ser dedicado a ajudar seres que possam pôr fim à situação de sofrimento em que se encontram ou aos que estão moribundos ou já morreram.

Os benefícios desta prática não são evidentes e depende da quantidade de seres a que se destina, incluindo todos os que causem a morte a outros quer pescando, caçando, comercializando e comendo e que, no seu estado de ignorância, continuam a criar condições para passarem pelas mesmas situações num futuro próximo.

Homenagem a Buda

27.5.09



«Hoje a minha vida frutificou.
Este estado humano foi agora bem assumido.
Nasço hoje na linhagem do Buda
E do Buda me torno filho e herdeiro.

De todas as formas empreenderei então
Actividades dignas de um tal nível
E não agirei de modo a perturbar
Ou comprometer esta alta e impecável linhagem.

Pois sou como um cego que encontrou
Uma preciosa jóia dentro de um montão de lixo.
E foi assim, por alguma estranha fortuna,
Que bodhichitta nasceu em mim...»
A Via do Bodhisattva
de Shantideva